De todos os números que um lojista precisa acompanhar, o CMV é um dos mais reveladores. Ele responde a uma pergunta simples mas fundamental: de tudo que entrou de receita no período, quanto foi consumido pelo custo dos produtos que você vendeu? A diferença entre a receita e o CMV é o lucro bruto, e é a partir dele que o negócio paga todas as outras despesas.
O que é o CMV
O CMV, ou Custo das Mercadorias Vendidas, representa o custo de aquisição dos produtos que foram efetivamente vendidos num período. Ele não inclui os produtos que ficaram no estoque, apenas os que saíram. A fórmula básica é:
CMV = Estoque Inicial + Compras do Período – Estoque Final
Isso significa que se você começou o mês com R$ 20.000 em estoque, comprou mais R$ 15.000 em mercadorias e terminou o mês com R$ 18.000 em estoque, o seu CMV foi de R$ 17.000. Esse foi o custo dos produtos que saíram da loja no período.
Como o CMV se conecta com o lucro bruto
O lucro bruto é a receita líquida de vendas menos o CMV. Se o faturamento líquido do mês foi de R$ 40.000 e o CMV foi de R$ 17.000, o lucro bruto foi de R$ 23.000. Isso representa 57,5% da receita, o que chamamos de margem bruta.
A margem bruta varia muito por segmento. Um supermercado pode trabalhar com margens brutas de 20 a 25%, enquanto uma loja de vestuário pode ter 50% ou mais. O que importa é comparar a sua margem com a do seu próprio histórico e com referências do seu setor.
O CMV por produto: onde morar as oportunidades
O CMV total diz pouco sobre o que está funcionando ou não no mix de produtos. Para tomar decisões melhores, o ideal é calcular o CMV por produto ou por categoria:
- Produtos com CMV alto e margem baixa: avaliar se o preço de venda pode subir ou se o custo pode ser negociado com o fornecedor
- Produtos com CMV baixo e margem alta: são os mais rentáveis e merecem atenção especial em termos de exposição e estoque
- Produtos com giro alto mas margem baixa: contribuem para o faturamento, mas precisam de análise cuidadosa do seu papel no mix
O que entra no CMV além do preço de compra
O custo de aquisição de um produto vai além do preço da nota fiscal. Para calcular o CMV com precisão, é preciso considerar:
- Frete de entrada: quando o frete é por conta da loja, ele integra o custo do produto
- Impostos recuperáveis: empresas que têm direito a crédito de ICMS ou PIS/Cofins devem descontar esses valores do custo
- Bonificações e descontos do fornecedor: reduzem o custo efetivo de aquisição
- Perdas e quebras: produtos danificados ou vencidos que não chegam a ser vendidos também compõem o CMV real
Um sistema de gestão que integra compras, estoque e financeiro calcula o CMV de forma automática, levando em conta todos esses fatores, e permite acompanhar o indicador por período, por produto e por categoria sem trabalho manual.
Como usar o CMV para decidir melhor nas compras
O CMV é uma ferramenta poderosa para avaliar o impacto de decisões de compra. Antes de fechar um pedido, vale perguntar: se eu comprar mais desse produto, o CMV vai subir ou o giro vai compensar? Se eu negociar um desconto maior, qual é o impacto na margem bruta?
Acompanhar o CMV mês a mês também revela tendências: se o CMV está subindo sem que o faturamento acompanhe, pode ser sinal de aumento nos custos de compra, perdas no estoque ou mix de produtos migrando para itens menos rentáveis.
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