Definir o preço de venda de um produto parece simples: você compra por um valor e vende por esse valor mais alguma margem. Mas essa lógica ignora uma série de custos que, quando não considerados, corroem o lucro sem que o gestor perceba. É possível vender muito e ainda assim fechar o mês no vermelho.
Calcular o preço de venda com base no custo real é uma das práticas mais importantes para a saúde financeira de qualquer negócio. E não é complicado: basta considerar todos os custos envolvidos antes de definir a margem desejada.
O que compõe o custo real de um produto?
O custo real vai além do valor pago na nota fiscal. Para calcular corretamente, é preciso considerar:
- Preço de compra: o valor na nota do fornecedor
- Frete e logística: quando o transporte é por conta da empresa compradora, esse custo precisa ser rateado entre os produtos da entrega
- Impostos não recuperáveis: dependendo do regime tributário e da operação, parte dos impostos de entrada não gera crédito e compõe o custo
- Perdas esperadas: para produtos com risco de vencimento, quebra ou avaria, uma margem de perda estimada precisa ser incluída no custo
Quando esses itens não são considerados, o custo cadastrado no sistema fica subestimado e a margem calculada não reflete a realidade.
O que é markup e como calcular?
Markup é o índice multiplicador aplicado ao custo de um produto para chegar ao preço de venda. Ele precisa cobrir todas as despesas operacionais da empresa e ainda gerar o lucro desejado.
A fórmula é:
Markup = 100 / (100 – despesas fixas% – despesas variáveis% – lucro desejado%)
Exemplo prático: se as despesas fixas representam 15% do faturamento, as despesas variáveis (impostos sobre venda, comissões) representam 10% e o lucro desejado é de 10%, o markup será:
Markup = 100 / (100 – 35) = 1,538
Nesse caso, um produto que custa R$ 100,00 deve ser vendido por R$ 153,80 para cobrir todos os custos e gerar o lucro planejado.
Erros comuns na precificação
- Considerar apenas o preço de compra sem incluir frete, perdas e demais custos associados
- Não atualizar os preços quando o custo de compra sobe: fornecedores reajustam, e a margem vai caindo silenciosamente
- Precificar com base no concorrente sem saber se a estrutura de custos dele é semelhante à sua
- Usar a mesma margem para todos os produtos: itens com maior risco de perda, giro mais lento ou custo logístico maior precisam de margem diferente
Como o sistema de gestão ajuda na precificação
Quando o sistema registra o custo de entrada de cada produto incluindo frete e outros custos adicionais, o gestor tem a base correta para calcular o markup. Com o histórico de custos disponível, é possível perceber rapidamente quando o preço de compra subiu e o preço de venda precisa ser atualizado para preservar a margem.
Sistemas que alertam quando o custo médio de um produto se altera eliminam o risco de continuar vendendo pelo preço antigo depois de um reajuste do fornecedor. Esse tipo de controle é simples, mas tem impacto direto no resultado financeiro do negócio.
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