É possível ter o fluxo de caixa em dia no sistema e ainda assim ser surpreendido pelo saldo bancário. Isso acontece quando os lançamentos do sistema não estão alinhados com o que realmente transitou na conta. A conciliação bancária é o processo que identifica e corrige essa diferença antes que ela cause problemas maiores.
Neste post, vamos explicar o que é a conciliação bancária, por que ela importa e como fazer de forma prática sem precisar de conhecimento contábil avançado.
O que é a conciliação bancária?
Conciliação bancária é a comparação entre dois registros de movimentações financeiras: o extrato bancário (o que o banco registrou entrando e saindo da conta) e o controle interno do negócio (o que foi lançado no sistema de gestão ou no controle financeiro da empresa).
O objetivo é confirmar que os dois estão alinhados. Quando há diferença, a conciliação identifica qual lançamento está faltando, qual está duplicado ou qual valor está incorreto.
Por que a conciliação é importante?
Sem conciliação, o saldo do sistema pode ser diferente do saldo real na conta bancária por várias razões:
- Pagamentos feitos pelo banco que não foram lançados no sistema
- Recebimentos de cartão ou Pix que entraram na conta mas não foram registrados no financeiro
- Tarifas bancárias cobradas automaticamente sem lançamento correspondente
- Estornos de vendas canceladas que foram devolvidos ao cliente mas não baixados no contas a receber
- Boletos liquidados fora do prazo original, com juros diferentes do valor previsto
Cada uma dessas situações cria uma divergência que, acumulada, pode fazer o gestor tomar decisões com base em um saldo de caixa que não existe.
Como fazer a conciliação bancária na prática
Passo 1: obtenha o extrato bancário do período
Acesse o extrato da conta bancária pelo aplicativo ou pelo internet banking. O período mais comum para conciliação é mensal, mas negócios com maior volume de movimentações podem fazer semanalmente.
Passo 2: exporte ou consulte as movimentações do sistema
No sistema de gestão financeiro, consulte ou exporte todas as entradas e saídas lançadas no mesmo período. O objetivo é ter os dois registros lado a lado para comparação.
Passo 3: compare item a item
Para cada lançamento do extrato bancário, verifique se há um lançamento correspondente no sistema. Marque os que conferem e anote os que não têm correspondência. Faça o mesmo no sentido inverso: lançamentos no sistema sem correspondência no extrato.
Passo 4: investigue e corrija as divergências
Para cada divergência encontrada, identifique a origem. Lançamento faltando no sistema? Inclua. Lançamento errado no sistema? Corrija. Valor diferente? Ajuste com a diferença. Após corrigir, os saldos devem bater.
Com que frequência fazer a conciliação?
Para a maioria dos pequenos varejos, uma conciliação mensal já é suficiente para manter o controle. Para negócios com maior volume de transações bancárias, especialmente os que recebem muito por cartão e Pix, uma conciliação quinzenal ou mesmo semanal reduz o volume de divergências a resolver de uma vez e torna o processo mais rápido.
O contador da empresa normalmente faz a conciliação bancária como parte do fechamento contábil mensal. Mas o gestor que acompanha isso internamente com mais frequência tem uma visão mais atualizada da saúde financeira do negócio e identifica problemas antes do fechamento contábil.
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